Lisboa vista por el fotógrafo español Manuel Rodríguez- Los cantos de la saudade

Mi reciente viaje a Lisboa ha renovado mi deseo de conocer más esta ciudad, sus gentes, su lengua, a Fernando Pessoa, al fado, su cultura, …
Tendré que volver una y otra vez
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1 – Fernando Pessoa:
He creado en mí varias personalidades. Creo personalidades constantemente. Cada sueño mío es inmediatamente, en el momento de aparecer soñado, encarnado en otra persona, que pasa a soñarlo, y yo no.
Para crear, me he destruido; tanto me he exteriorizado dentro de mí, que dentro de mí no existo sino exteriormente. Soy la escena viva por la que pasan varios actores representando varias piezas.

Fernando Pessoa – Libro del desasosiego

2 – El fado:
Alfredo Marceneiro, cantante clásico de fados
É tão bom ser pequenino
http://www.youtube.com/watch?v=0DbUT5CaFxM

3 – O idioma português:
Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou. Uma réstia de parte do sol, um campo, um bocado de sossego com um bocado de pão, não me pesar muito o conhecer que existo, e não exigir nada dos outros nem exigirem eles nada de mim. Isto mesmo me foi negado, como quem nega a esmola não por falta de boa alma, mas para não ter que desabotoar o casaco.
Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se a minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não encarna a substância de milhares de vozes, a fome de dizerem-se de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha ao destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo mais porque vivo maior. Sinto na minha pessoa uma força religiosa, uma espécie de oração, uma semelhança de clamor. Mas a reacção contra mim desce-me da inteligência… Vejome no quarto andar alto da Rua dos Douradores, assisto-me com sono; olho, sobre o papel meio escrito, a vida vã sem beleza e o cigarro barato que a expender estendo sobre o mata-borrão velho. Aqui eu, neste quarto andar, a interpelar a vida!, a dizer o que as almas sentem!, a fazer prosa como os génios e os célebres! Aqui, eu, assim!…

Fernando Pessoa – O livro do desassossego

Vista de Lisboa- Fotografía de Manuel Rodríguez (copyright, 2011)

Vista de Lisboa- Fotografía de Manuel Rodríguez (copyright, 2011)

Lisboa- Fotografía de Manuel Rodríguez (copyright, 2011)

Lisboa- Fotografía de Manuel Rodríguez (copyright, 2011)

Lisboa II - Fotografía de Manuel Rodríguez (copyright, 2011)

Lisboa II - Fotografía de Manuel Rodríguez (copyright, 2011)


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